sexta-feira, 15 de maio de 2015

Os Versos de Ouro de Pitagoras

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Os Versos de Ouro da tradição pitagórica constituem um documento de valor inestimável. Este texto breve e único é um mapa preciso do caminho prático para a sabedoria divina.
É verdade que o documento tem sido mantido em um relativo esquecimento, como tantos outros que pertencem à sabedoria tradicional do ocidente. Mas isso só aumenta o valor da sua descoberta pessoal por parte do leitor. Por outro lado, o significado desse texto brilha hoje dentro de um contexto maior, pelo qual as filosofias clássicas grega e romana vêm, desde o século 20, recuperando gradualmente a sua visibilidade e a sua popularidade.
Os Versos de Ouro expressam em poucas palavras e com uma clareza definitiva o compromisso de vida dos pitagóricos de todos os tempos. Sua mensagem será provavelmente tão atual dentro de 20 ou 25 séculos como era na Grécia e na Roma antigas. Por outro lado, durante a complexa transição atual para uma civilização planetária e democrática, os Versos apontam e sinalizam impecavelmente o caminho da autoregeneração de cada indivíduo, que constitui a base fundamental para um renascimento coletivo da sabedoria no futuro a médio prazo.
A seguir, pois, um texto imortal, que se pode e deve ler e reler muitas vezes ao longo do tempo. É um mapa, um guia e um tratado completo sobre a vida dos sábios.


  1. Honra em primeiro lugar os deuses imortais, como manda a lei.

Os deuses ou espíritos imortais são personificações das inteligências cósmicas, tal como registradas nas lendas dos mitos antigos.

Por outro lado, são também os grandes instrutores da humanidade, os Adeptos mencionados na literatura teosófica clássica, os grandes Rishis da Índia antiga e os Imortais da tradição taoísta.

Esotericamente, a lei referida nesse verso é a lei da evolução, que guia simultaneamente o cosmo e cada ser que vive nele.

Mas, de acordo com o ponto de vista de Fabre d’Olivet, o primeiro Verso pitagórico fala da lei e dos costumes do país em que se vive. Assim, para evitar perseguições em tempos de intolerância, o praticante dos Versos de Ouro pode adotar a religião externa do seu país,  enquanto segue internamente a doutrina esotérica dos pitagóricos.
2. A seguir, reverencia o juramento que fizeste.

A decisão de buscar a verdade, manifestada através de um juramento ou voto espiritual, é uma expressão dinâmica da nossa conexão interior com o mundo divino. Daí sua importância, a ponto de ser colocada na abertura dos Versos de Ouro. Este juramento, no seu aspecto mais profundo, é simplesmente a decisão, tomada em nosso próprio coração, de seguir o caminho da sabedoria. (O juramento dos pitagóricos é discutido com mais detalhes no Verso 48.)

  1. Depois os heróis ilustres, cheios de bondade e luz.

Os heróis ilustres são seres de alto grau de evolução, embora possam não ter chegado à libertação espiritual alcançada pelos Adeptos ou Imortais. Hércules, uma exceção, era um ser reconhecido simultaneamente como um deus e um herói. No entanto, a diferença entre as duas situações é clara, no vemos no livro On the Mysteries (Sobre os Mistérios), de Jâmblico. [3]

  1. Homenageia então os espíritos terrestres, e manifesta por eles o devido respeito.

Os espíritos terrestres são os homens bons e sábios.

  1. Honra em seguida a teus pais, e a todos os membros da tua família.

Cumprir os deveres familiares e ter um comportamento equilibrado no plano emocional garante uma boa parte da tranqüilidade básica necessária à busca da sabedoria divina. O desapego é igualmente importante. Um instrutor espiritual dos Himalaias escreveu no século 19 para um discípulo leigo, Alfred Sinnett: “Parece pouco a você que o ano anterior tenha sido empregado apenas em seus ‘deveres familiares’? Não; que melhor causa para recompensa, que melhor disciplina que o cumprimento do dever a cada hora e a cada dia? Creia-me, meu ‘aluno’, o homem ou a mulher que é colocado pelo Carma no meio de deveres, sacrifícios e amabilidades pequenos e definidos irá, através do fiel cumprimento deles, erguer-se à dimensão maior do Dever, do Sacrifício e da Caridade para com toda a humanidade. Que melhor caminho, para a iluminação buscada por você, que a vitória diária sobre o Eu, a perseverança apesar da ausência de progresso psíquico visível, o suportar da má-sorte com aquela serena resistência que a transforma em vantagem espiritual – já que o bem e o mal não podem ser medidos por acontecimentos no plano inferior ou físico?” [4]
6. Entre todos os outros, escolhe como amigo aquele que se distingue por sua virtude.

Na sua obra intitulada “Ditos e Feitos Memoráveis de Sócrates”, Xenofonte conta como Sócrates ensinou a Cristóbulo a arte de afastar-se de homens ignorantes. Ao terminar sua exposição, o sábio aconselha: “Fica tranqüilo, Cristóbulo: procura fazer-te bom e, uma vez bom, põe-te à caça dos corações virtuosos.” [5]
7. Aproveita sempre suas suaves exortações, e segue o exemplo das suas ações virtuosas e úteis.
8. Mas evita, tanto quanto possível, afastar-te do teu amigo por um pequeno erro.

  1. Porque a força é limitada pela necessidade.

Hierocles comenta: “É para o nosso benefício mútuo que a lei da amizade nos une, para que os nossos amigos possam ajudar-nos a crescer em virtude, e para que nós possamos, reciprocamente, ajudá-los em seu progresso nesse sentido. Porque, como companheiros de viagem no caminho que leva a uma vida melhor, nós deveríamos, para nosso proveito comum, transmitir a eles as coisas boas que possamos descobrir, talvez com mais clareza que eles.” E Hierocles faz uma advertência: “Há apenas uma coisa que não devemos aceitar em um amigo, que é que ele caia em um comportamento corrupto”. Nesse ponto, como sempre, valem mais os atos que as palavras. Mas, acrescenta Hierocles, nessa situação “não devemos vê-lo como inimigo, porque já foi nosso amigo, nem devemos vê-lo como nosso amigo, por causa do seu comportamento decadente”.

  1. Lembra que todas essas coisas são como eu te disse.
    11. Mas acostuma-te a vencer essas paixões: primeiro, a gula; depois a preguiça, a luxúria e a raiva.

Segundo Hierocles, “essas são as paixões que devemos restringir e manter dominadas, para que elas não possam descompor e obstruir a nossa razão.”

  1. Nunca faças junto com outros, nem sozinho, algo que te dê vergonha.

  1. E, sobretudo, respeita a ti mesmo.

Os versos 12 e 13 recomendam duas coisas inseparáveis: a auto-restrição e o auto-respeito, ou, em outras palavras, a abstenção do erro e a auto-estima. De fato, só com respeito por nós mesmos – um sentimento que na verdade é amor pelo que há de mais puro e elevado em nós – podemos ter uma suave disciplina não-repressiva que nos permite abster-nos daquilo que sabemos que é errado.

  1. Pratica a justiça com teus atos e com tuas palavras.

  1. E estabelece o hábito de nunca agir impensadamente.
    16. Mas lembra sempre um fato, o de que o destino estabelece que a morte virá a todos;
    17. E que as coisas boas do mundo são incertas, e assim como podem ser conquistadas, podem ser perdidas.

  1. Suporta com paciência e sem murmúrios a tua parte, seja qual for,

  1. Dos sofrimentos que o destino determinado pelos deuses lança sobre os seres humanos.

Temos aqui as ideias centrais adotadas mais tarde pelos filósofos estóicos. O filósofo-imperador neoestóico Marco Aurélio recomendava: “Vive cada dia da tua vida como se fosse o último”. Os estóicos construíram sua filosofia sobre a ideia da indiferença diante da dor e do prazer externos e de curto prazo. Essa regra básica da arte de viver ocupa lugar central em Sócrates, Platão, e muitos outros filósofos, para não falar em tradições orientais como Raja Ioga e outras.

Em relação ao Verso 19, Platão escreve em A República que “Deus” – que para os gregos é a pluralidade estrutural do mundo divino, a ideia universal – nunca é o causador dos sofrimentos de alguém. Ali, Platão faz Sócrates afirmar: “Deus não é a causa de tudo, mas tão-somente do bem”.[6] Estaria, então, equivocado o Verso 19? Não. O Verso não é fatalista. O “destino determinado pelos deuses” e que é lançado sobre o ser humano foi criado pelo próprio homem. Os “deuses”, as inteligências divinas em seu funcionamento coletivo, apenas ordenam e organizam, natural e espontaneamente, o carma ou destino que a própria humanidade cria para si. Por isso é errado rezar ou pedir favores a deuses ou seres divinos. A solução prática é agir bem e acertadamente, esperando que o bom carma amadureça para que os seus resultados possam ser colhidos. No entanto, as orações são úteis sempre que servem para que o nosso pensamento se erga acima das angústias. O pensamento positivo dá bons frutos, e embora as orações não tenham valor como pedidos, elas funcionam como mecanismos de elevação da consciência.

  1. Mas esforça-te por aliviar a tua dor no que for possível,
    21. E lembra que o destino não manda muitas desgraças aos bons.

O destino, como vimos, é o carma, isto é, o encadeamento de ações e reações da vida. O carma, diz o verso 21, não manda muitas desgraças aos bons. Está correto. Porém, a vida é complexa, e é oportuno lembrar uma advertência de Helena Blavatsky, que escreveu o seguinte em 1883: “O chela” – isto é, o aprendiz da sabedoria eterna – “é levado a enfrentar não só todas as más propensões latentes em sua natureza, mas, por acréscimo, todo o conjunto de poder maléfico acumulado pela comunidade e nação a que ele pertence. Porque ele é uma parte integral daqueles agregados, e tudo o que afeta tanto o homem individual como o grupo (cidade ou nação) reage um sobre o outro. Nesta instância a luta pela bondade destoa do conjunto da maldade em seu meio ambiente, e atrai sua fúria sobre si.” [7]

Esse parece ser o motivo pelo qual grande quantidade de seres que trabalharam pela regeneração humana foram severamente perseguidos, ou pelo menos incompreendidos, em seu tempo. Entre eles estão Sócrates, Pitágoras, Apolônio de Tiana, São Francisco de Assis, São João da Cruz, Martim Lutero, Mahatma Gandhi, Alessandro Cagliostro e a própria Helena Blavatsky. E foram milhares. A vida de Jesus, no Novo Testamento, simboliza e retrata esse mesmo processo. Porém, é central o fato de que, sendo bons, eliminamos as fontes e a causa do nosso sofrimento. E isso ocorre mesmo que, a curto prazo, haja desafios e dificuldades. Não é por acaso que o caminho da libertação espiritual passa pelo desapego e pela indiferença à dor e ao prazer.

Esse verso também sugere que, se formos bons e altruístas, teremos uma quota de felicidade. Mas essa felicidade será predominantemente interior e não surgirá de uma vida externamente prazenteira ou indulgente.

  1. O que as pessoas pensam e dizem varia muito; agora é algo bom, em seguida é algo mau.

  1. Portanto, não aceites cegamente o que ouves, nem o rejeites de modo precipitado.
    24. Mas, se forem ditas falsidades, retrocede suavemente e arma-te de paciência.
  2. Cumpre fielmente, em todas as ocasiões, o que te digo agora:

  1. Não deixes que ninguém, com palavras ou atos,

  1. Te leve a fazer ou dizer o que não é melhor para ti.

  1. Pensa e delibera antes de agir, para que não cometas ações tolas,

Um raja iogue dos Himalaias escreveu, no século 19, em uma carta para sua discípula ocidental Laura C. Holloway: “Como você pode discernir o real do irreal, o verdadeiro do falso? Só através do autodesenvolvimento. Como conseguir isso? Primeiro, precavendo-se contra as causas do auto-engano. E isso você pode fazer dedicando-se, em determinada hora ou horas fixas, a cada dia, totalmente só, à autocontemplação, a escrever, a ler, a purificar suas motivações, a estudar e corrigir seus erros, ao planejamento do seu trabalho na vida externa. Essas horas deveriam ser reservadas como algo sagrado e ninguém, nem mesmo o seu amigo ou seus amigos mais íntimos, deveria estar com você naquele momento. Pouco a pouco sua visão ficará clara, você descobrirá que as névoas se dissipam (…).” [8]

  1. Porque é próprio de um homem miserável agir e falar de modo impensado.

A expressão “homem miserável” significa aqui “homem que sofre”, um ser que passa por misérias.

  1. Mas faze aquilo que não te trará aflições mais tarde, e que não te causará arrependimento.

  1. Não faças nada que sejas incapaz de entender,

  1. Mas aprende tudo o que for necessário aprender, e desse modo terás uma vida feliz.

  1. Não esqueças de modo algum a saúde do corpo,

Uma espiritualidade empobrecida e estreita, baseada em crenças cegas e cerimônias, acabou provocando na cultura ocidental um tradicional desprezo pelo corpo, como se só o espírito fosse bom e a “carne” fosse má. Esse grave erro tem levado à visão do caminho espiritual como algo distanciado da prática concreta. Para a sabedoria eterna, como para a filosofia clássica, o corpo é o templo habitado pelo espírito, e deve ser tratado com respeito e consideração. Matéria, energia e espírito são três aspectos da mesma Vida Una.[9]  Assim, o corpo é um instrumento prático para vivenciar e expressar o que é sagrado.
34. Mas dá a ele alimento com moderação, o exercício necessário e também repouso à tua mente.

Aqui parece ter havido uma contaminação do texto ao longo do tempo. Na versão disponível atribuída a Hierocles, lemos, literalmente: “Mas dá a ele bebida e carne na medida certa, e também o exercício que ele necessita”. Na verdade, sabe-se que as comunidades pitagóricas eram vegetarianas. Como a menção a consumo de carne está fora de contexto, opto, em parte, pela versão de Fabre d’Olivet, que diz, literalmente: “Dá, com moderação, alimento ao corpo, e à mente repouso”.

  1. O que quero indicar com a palavra moderação é aquilo que não te provocará mal-estar.

Os extremos devem ser evitados. Essa é uma menção ao caminho do meio e ao avanço gradual a ser realizado pelo aprendiz, sem pressa e sem pausa.

  1. Acostuma-te a uma vida decente e pura, sem luxúria.

  1. Evita todas as coisas que causarão inveja.

Isso nem sempre é possível para o aprendiz. Até mesmo a bondade e a sinceridade de alguém podem ser motivos de inveja – por exemplo, por parte daqueles que decidiram fazer ouvidos surdos à sua própria consciência. Aquele que optou pela astúcia pode sofrer agudamente ao ver as ações corretas e as motivações puras de alguém que escuta a voz do coração. Um tal indivíduo poderá invejar e atacar o aprendiz da sabedoria, tentando legitimar e confirmar desse modo, para si mesmo e para os outros, a sua decisão de abandonar como algo “impossível” ou “utópico”, a prática da sinceridade. Veja, a propósito, o comentário ao Verso 21. Porém, a cautelosa recomendação do Verso 37 é fundamental. Servirá para reduzir em boa parte os sofrimentos no caminho do aprendizado.

  1. E não cometas exageros no uso de bens materiais. Vive como alguém que sabe o que é honrado e decente.

  1. Não ajas movido pela cobiça ou avareza. É excelente usar a justa medida em todas essas coisas.
    40. Faze apenas as coisas que não podem ferir-te, e decide antes de fazê-las.

Os princípios da conduta pitagórica devem ser ponderados uma e outra vez, até que sejam absorvidos em cada um dos níveis de consciência e nas práticas da rotina diária do aprendiz. Os caminhantes espirituais gradualmente se transformam, eles mesmos, na verdade universal que é tema do seu estudo e da sua contemplação. Por isso os Versos 38 a 40 reforçam duas ideias fundamentais sugeridas antes: agir moderadamente e nunca atuar de modo impensado. Segundo o Verso 40, devemos antecipar mentalmente as conseqüências das nossas ações e evitar aquilo que nos causará mais mal do que bem. Quase toda ação causa efeitos contraditórios, alguns agradáveis, outros desagradáveis. Há ações altruístas, por exemplo, que implicam um grau de sacrifício relativamente alto a curto ou a médio prazo. Mas o saldo das ações deve ser positivo a longo prazo. E a decisão a respeito delas deve ser soberana.

  1. Ao deitares, nunca deixes que o sono se aproxime dos teus olhos cansados,

  1. Enquanto não examinares com a tua consciência mais elevada todas as tuas ações do dia.

  1. Pergunta: “Em que errei? Em que agi corretamente? Que dever deixei de cumprir?”

  1. Recrimina-te pelos teus erros, alegra-te pelos acertos.

Cada dia da vida é a imagem em miniatura de uma vida inteira. Pela manhã cedo temos a vitalidade de uma criança, e à noite sentimos o cansaço de alguém que é muito velho. A revisão pitagórica nos permite avaliar o carma plantado e o carma colhido durante aquele dia. Desse modo podemos dormir mais completa e profundamente, e com a consciência em paz. O estudante da sabedoria esotérica fica, assim, livre para o aprendizado que ocorre durante o sono do seu corpo físico. Porque, como se sabe, certos sonhos podem ser fonte importante de ensinamento espiritual.

O hábito da auto-observação previne alguns erros e corrige outros. Essa prática também prepara a revisão do passado que irá ocorrer na fase final da velhice, e mesmo no último minuto da nossa vida física. Essas revisões finais do conjunto da existência servem, por sua vez, para antecipar e definir o rumo geral da vida após a morte, inclusive os seus dois principais estágios, que são o kama-loka (etapa de purificação) e o devachan (etapa divina).

De modo semelhante, em pequena escala, a revisão ao final de cada dia ajuda a definir o rumo e a qualidade de tudo o que irá ocorrer durante o sono e até o novo despertar. Graças à revisão pitagórica do final do dia, cada nova manhã traz consigo uma vida mais livre do perigo de repetir os erros do passado, e mais aberta para o potencial ilimitado de felicidade que cada ser humano tem sempre diante de si.
45. Pratica integralmente todas essas recomendações. Medita bem nelas. Tu deves amá-las de todo coração.

  1. São elas que te colocarão no caminho da Virtude Divina,

O termo virtude – areté, em grego – não é algo a ser cultivado superficial ou artificialmente, como pode ocorrer no contexto de certas teologias cristãs. Areté, explica Platão, é aquela atividade própria e específica de uma determinada coisa ou pessoa. A virtude de uma bibicleta é o movimento, a virtude de um peixe é nadar, e a virtude de um médico é curar. Assim, também, a virtude divina da alma humana é uma característica e uma vocação essencial da parte superior e racional do indivíduo. Ela é o dharma, o Tao, aquilo que surge naturalmente de uma alma imortal livre de apegos externos. [10]

  1. Eu o juro por aquele que transmitiu às nossas almas o Quaternário Sagrado,

  1. A fonte da Natureza, cuja evolução é eterna.

O Quaternário Sagrado é a Tétrade ou tetraktys (em grego), o quatro sagrado pelo qual juravam os pitagóricos. “Aquele que transmitiu o Quaternário” é o Mestre, cujo nome se evitava pronunciar em vão. Esse era o juramento mais inviolável dos pitagóricos. O quaternário sagrado simbolizava a unidade que se mostra em quatro aspectos no mundo visível, e também o eu imortal em sua ação concreta.

Um certo quaternário sagrado aparece também nos escritos esotéricos e reservados de H.P. Blavatsky. É verdade que, ao escrever sobre a constituição oculta do ser humano, ela ensinoupublicamente sobre o quaternário inferior e mortal e a tríade imortal. Nesse seu primeiro esquema, o quaternário mortal é constituído de: 1)Sthula-sharira (corpo físico), 2) Prana(princípio vital), 3) Linga-sharira (modelo sutil ou arquétipo usado pela vitalidade, o que inclui a herança genética do indivíduo), e 4) Kama (o centro dos sentimentos animais). Já a tríade imortal é formada por 5) Manas (mente), 6) Buddhi (inteligência espiritual) e 7) Atma (o princípio supremo). Esse enfoque permite ao estudante uma primeira aproximação do tema.

Porém, escrevendo para seus alunos esotéricos em um texto que só foi publicado após sua morte, H.P. Blavatsky revelou um outro esquema setenário, traçado do ponto de vista da energia superior. Nele, há um quaternário sagrado e uma tríade inferior. Desse ponto de vista oquaternário é formado por 1) Ovo Áurico (aparece aqui a aura imortal), 2) Atma, 3) Buddhi e 4) Manas; e há uma tríade inferior com 5) Kama, 6) Linga-sharira e 7) Prana. O corpo físico,Sthula-sharira, não aparece nesse segundo esquema.[11]

tétrade sagrada dos pitagóricos parece ter sido conhecida também pelos chineses. Geometricamente, a sua apresentação é a seguinte:
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A primeira linha da figura representa a unidade e o divino. A segunda linha, a dualidade e a materialidade. A terceira linha significa a tríade, o eu imortal em evolução, que reúne em si a unidade e a dualidade. E a quarta linha simboliza a tétrade ou perfeição, que expressa a vacuidade e a plenitude. Presente na figura está também a década, ou dez, a soma total dos pontos, que simboliza o cosmo.

Desse modo, o quaternário sagrado pelo qual juravam os pitagóricos significa: 1) o conjunto dinâmico e cíclico da unidade divina; 2) o processo da manifestação do mundo divino na matéria; e 3) o cosmo que tudo contém. [12]

  1. Nunca comeces uma tarefa antes de pedir a bênção e a ajuda dos Deuses.

Essa prática é recomendada em diferentes tradições religiosas orientais e ocidentais. Na França do século 17, por exemplo, o irmão Lawrence, usando a técnica da presença divina, orava, ao começar cada tarefa: “Oh, ser divino, já que você está comigo, e que para cumprir meu dever devo agora concentrar minha mente em uma tarefa concreta, peço-lhe a graça de continuar em Sua Presença. E peço que, para isso, Você lance sobre mim a bênção da Sua ajuda, receba os frutos do meu trabalho, e seja o proprietário de todas as minhas afeições.” [13]

  1. Quando fizeres de tudo isso um hábito,

  1. Conhecerás a natureza dos deuses imortais e dos homens,

  1. Verás até que ponto vai a diversidade entre os seres, e também aquilo que os reúne em si e os coloca em unidade uns com os outros.

  1. Verás então, de acordo com a Justiça, que a substância do Universo é a mesma em todas as coisas.

“De acordo com a Justiça”, isto é, “na medida dos teus méritos”. A palavra justiça, neste caso, significa a lei do carma. A vida recebe de cada um conforme a sua possibilidade, e dá a cada um conforme os seus méritos. A cada ação corresponde uma reação igual, no sentido inverso: “quem planta, colhe”. O fato de que a substância do Universo é a mesma em todas as partes, mencionado no Verso 53, também expressa a Lei da Justiça e do Equilíbrio Universal. O filósofo pitagórico Thomas Stanley escreveu em sua obra sobre a vida e os ensinamentos de Pitágoras que há uma amizade universal unindo todos os seres e todas as coisas.[14]  E o Mahatma Koothoomi escreveu em uma das suas Cartas: “A Natureza uniu todas as partes do seu Império por meio de fios sutis de simpatia magnética, e há uma relação mútua até mesmo entre uma estrela e o homem …”. [15]

  1. Desse modo não desejarás o que não deves desejar, e nada nesse mundo será desconhecido de ti.

A felicidade não consiste em ter o que se deseja, mas em não desejar o que não é adequado. Os desejos pessoais distorcem a realidade e mantêm o ser humano na ignorância. Uma das definições de nirvana, o estado de êxtase e de libertação espiritual, é “ausência total de desejos”. Essa é a porta que leva à lucidez ilimitada do sábio, através da qual ele se conecta com a força do cosmo.

  1. Perceberás também que os homens lançam sobre si mesmos suas próprias desgraças, voluntariamente e por sua livre escolha.
    56. Como são infelizes! Não vêem, nem compreendem que o bem deles está a seu lado.
    57. Poucos sabem como libertar-se dos seus sofrimentos.

  1. Esse é o peso do destino que cega a humanidade.

O peso do destino é o aspecto negativo do carma humano; a carga acumulada de erros cometidos pela humanidade. O chamado carma positivo, ao contrário, é o peso da carga acumulada dos acertos humanos. Os santos e sábios defendem a humanidade das conseqüências mais graves dos seus próprios erros – como se ela fosse uma criança – ao mesmo tempo que orientam sua evolução. E poucos poderiam duvidar de que a humanidade está em uma etapa relativamente infantil do seu desenvolvimento espiritual.

  1. Como grandes cilindros, os seres humanos rolam para lá e para cá, sempre oprimidos por sofrimentos intermináveis,

  1. Porque são acompanhados por uma companheira sombria, a desunião fatal entre eles, que os lança para cima e para baixo sem que percebam.

Um ensinamento básico e central da tradição esotérica é o da unidade e da fraternidade universal de todos seres.

A propósito dos versos 59 e 60, Fabre d’Olivet contribui com a seguinte imagem: “indefesos e arrastados pelas paixões, lançados para lá e para cá por ondas adversas em um oceano sem praias, elesrolam sem nada ver, incapazes de resistir ou de ceder à tempestade”. [16]

  1. Trata, discretamente, de nunca despertar desarmonia, mas foge dela!

Uma formulação mais estritamente literal deste Verso, na versão de Hierocles, seria: “Ao invés de provocar e estimular a desunião, eles deveriam evitá-la cedendo espaço.”

Mas é oportuno destacar que há pelo menos dois tipos de união ou harmonia. Existe uma harmonia aparente, mantida como fachada para evitar e reprimir a liberdade e a independência natural dos seres; e há outra harmonia interior, de coração, que é capaz de identificar, respeitar e preservar as diferenças naturais entre os seres. Essa verdadeira harmonia não é sinônimo de uniformidade externa, mas nasce de uma relação criativa e positiva entre seres e possibilidades diferentes.

  1. Oh, Grande Zeus [17],  pai dos homens, você os livraria de todos os males que os oprimem, se você mostrasse a cada um o Espírito que é seu guia.

O Espírito que guia cada ser humano é o seu próprio eu imortal, também chamado de mônada, Atma, ou Atma-Buddhi.

  1. Porém, tu não deves ter medo, porque os homens pertencem a uma raça divina,

De fato, tanto a origem como o destino da nossa humanidade são divinos. Luz no Caminho,um clássico da literatura esotérica, afirma:“A alma humana é imortal e seu futuro é o futuro de algo cujo crescimento e esplendor não têm limites”. [18]

  1. E a natureza sagrada revelará a eles os mistérios mais ocultos.

  1. Se ela comunicar a ti os seus segredos, colocarás em prática, com facilidade, todas as coisas que te recomendo.

Quando a disciplina espiritual nos parece difícil, isso ocorre porque ainda não compreendemos bem a realidade da vida.A verdade é que a ausência de disciplina traz dificuldades muito maiores.

  1. E ao curar a tua alma a libertarás de todos esses males e sofrimentos.
    67. Mas evita as comidas pouco recomendáveis para a purificação.
    68. E a libertação da alma; usa um claro discernimento em relação a elas, e examina bem todas as coisas,
    69. Buscando sempre guiar-te pela compreensão divina que tudo deveria orientar.
    70. Assim, quando abandonares teu corpo físico e te elevares no mais puro éter,

O éter é um dos níveis inferiores do Akasha, a substância primordial ou Luz Astral. E a recíproca é verdadeira: “O akasha (palavra sânscrita) é a síntese do éter, é o éter superior”, diz Helena Blavatsky. No contexto específico do Verso 70, éter significa o mundo da luz astral, as condições da vida após a morte, que são determinadas pelo carma produzido em vida.

  1. Serás divino, imortal, incorruptível, e a morte não terá mais poder sobre ti.

Este Verso final simboliza não só o momento em que se alcança a sabedoria em termos gerais, mas também a conquista da libertação espiritual, o adeptado – a condição de um Mahatma, um Buda, um Arhat, um Rishi ou Imortal. Nesse estágio a alma conhece o Nirvana e não tem mais necessidade de renascer.


NOTAS:

[1] Hierocles de Alexandria, filósofo neoplatônico e neopitagórico do século 5 da era cristã, foi aluno de Plutarco de Atenas antes de começar a ensinar filosofia em Alexandria. Esse filósofo não deve ser confundido com outro Hierocles da mesma cidade, um filósofo estóico que viveu nos séculos 1 e 2 da era cristã. Veja Encyclopaedia Britannica, 1967.

[2] Entre as principais versões disponíveis dos Versos estão: 1) Commentaries of Hierocles on the Golden Verses of Pythagoras, Theosophical Publishing House, Londres, 1971, 132 pp.; e 2)The Golden Verses of Pythagoras, de Fabre d’Olivet, Samuel Weiser, Inc., Nova Iorque, 1975, 164 pp. O francês Fabre d’Olivet (1767-1825) foi qualificado por Helena P. Blavatsky como “um gênio de erudição quase miraculosa”. Outras versões importantes dos Versos de Ouro incluem: 1) The Pythagorean Sourcebook and Library, Compiled and Translated by Kenneth Guthrie, Phanes Press, Michigan, EUA, 1987, 361 pp., ver pp.163-165; 2) Vida Perfeita, Comentários aos Versos de Ouro dos Pitagóricos, de Paul Carton, Martin Claret Editores, São Paulo, 1995, 188 pp.; e 3) Pitágoras, Su Vida, Sus Símbolos y los Versos Dorados, de A. Dacier, Versión Española de Rafael Urbano, Casa Editorial Maucci, Barcelona, edição de cerca de 1920, com 317 pp., ver especialmente pp. 173-179. Cabe registrar ainda o trabalho realizado no Brasil pelo Instituto Neo-Pitagórico (INP), de Curitiba. Fundado em 1909 por Dario Vellozo, o INP tem várias publicações sobre temas pitagóricos. Seu endereço é Cx. Postal 1047, 80.001-970 Curitiba, PR.

[3] On the Mysteries, Iamblichus, tr. Thomas Taylor, Wizards Bookshelf, San Diego, CA, USA, 1997, 376 pp. Veja a Introdução, de T. Taylor e o capítulo II da obra.

[4] Veja Cartas dos Mahatmas Para A. P. Sinnett, Ed. Teosófica, Brasília, volume II, Carta 123, pp. 269-270.

[5] Sócrates, Coleção Os Pensadores, Nova Cultural, Círculo do Livro, 1996, 300 pp., ver capítulo seis do livro II, pp. 105-108.

[6] A República, Platão, Nova Cultural Ltda., SP, 2000, 352 pp., ver pp. 68-69.

[7] Veja o texto Chelas and Lay Chelas, em Collected Writings, H.P. Blavastsky, volume IV, TPH, Adyar, Índia, 1991, p. 612.

[8] Cartas dos Mestres de Sabedoria, editadas por C. Jinarajadasa, Ed. Teosófica, Brasília, 295 pp., ver Carta II para Laura Holloway, p. 146.

[9] Para ler mais a respeito da relação prática entre corpo e mente, matéria e espírito, veja o capítulo 14, intitulado O Corpo Inseparável da Alma, no livro Três Caminhos Para a Paz Interior, Carlos Cardoso Aveline, Ed. Teosófica, Brasília, 2002, 193 pp.

[10] Veja o termo Areté em História da Filosofia Antiga, de Giovanni Reale, Edições Loyola, São Paulo, Volume V, pp. 29-30.

[11] Veja Os Sete Princípios da Consciência, Carlos Cardoso Aveline, Ação Teosófica, 2002, 44pp.

[12] Veja o Glossário Teosófico, de H. P. Blavatsky (Ed. Ground), item “Tétrade”. Em torno desse tema, há também comentários do Mestre Koothoomi na Carta 111, p. 215, vol. II, de Cartas dos Mahatmas Para A.P. Sinnett (Ed. Teosófica, Brasília)sobre o significado arquetípico dos números pitagóricos. Sobre a década pitagórica, veja também A Doutrina Secreta, de H. P. Blavatsky, Ed. Pensamento, São Paulo, volume IV, Seções X e XI, pp. 143-199.
[13] Veja Três Caminhos Para a Paz Interior, Carlos Cardoso Aveline, Ed. Teosófica, Brasília, 2002, p. 168.

[14] Pythagoras, His Life and Teachings, de Thomas Stanley, edição facsimilar da edição de 1687, The Philosophical Research Society, Los Angeles, EUA, 1970, ver pp. 544-545.

[15] Cartas dos Mahatmas Para A. P. Sinnett, Editora Teosófica, 2001, ver Carta 47, final da p.217.

[16] Esse é o Verso 32, na contagem de Fabre d’Olivet.

[17] Zeus. No original em inglês temos “Júpiter”, o nome romano equivalente ao termo grego Zeus. Hierocles, como vimos, é do século 5 d.C. Daí o uso do termo romano. Zeus era o deus grego que chefiava o Olimpo. Na mitologia grega, Zeus era o filho mais novo de Cronos (Saturno), que Zeus destronou e substituiu como deus supremo. Zeus é o deus do céu e dos fenômenos atmosféricos.

[18] Luz no Caminho, de Mabel Collins, Editora Teosófica, Brasília, edição de bolso, 111 pp., ver p. 67.
 fonte:http://www.sabedoriadivina.com.br/os-versos-de-ouro-de-pitagoras/

domingo, 10 de maio de 2015

Lama Zopa Rinpoche in front of a thousand armed Chenrezig statue, which is the main statue in the new gompa at Kopan Nunnery, Nepal, April 39, 2015. Photo by Ven. Losang Sherab.
Lama Zopa Rinpoche in front of a Thousand-Armed Chenrezig statue, which is the main statue in the new gompa at Kopan Nunnery, Nepal, April 30, 2015. Photo by Ven. Losang Sherab.
“The benefits of reciting the Compassion Buddha mantra are infinite, like the limitless sky,” Lama Zopa Rinpoche said in July 2000.
“Even if you don’t have much intellectual understanding of Dharma, even if the only thing you know is OM MANI PADME HUM, still the happiest life is one lived with an attitude free of the eight worldly concerns. If you live your life with the pure attitude free of attachment clinging to this life and simply spend your life chanting OM MANI PADME HUM – this six-syllable mantra that is the essence of all Dharma – that’s the purest Dharma.
“It looks very simple, very easy to recite. But if you think of the benefits, it’s not at all simple. Here, I’d like to mention just the essence of its infinite benefits.
“Reciting the Compassion Buddha mantra just once completely purifies the four defeats of breaking the four root vows of self-liberation and the five uninterrupted negative karmas.
“It is also mentioned in the tantras that by reciting this mantra you achieve the four qualities of being born in the Amitabha Buddha pure land and other pure lands; at the time of death, seeing Buddha and lights appearing in the sky; the devas making you offerings; and never being reborn in the hell, hungry ghost or animals realms. You will be reborn in the pure land of Buddha or as a happy transmigratory being.
Lama Zopa Rinpoche opening the new gompa at Khachoe Ghakyil Nunnery, the Kopan nunnery, after the earthquake, April 30, 2015. Photo by Ven. Losang Sherab.
Lama Zopa Rinpoche opening the new gompa at Khachoe Ghakyil Nunnery, the Kopan nunnery, after the earthquake, April 30, 2015. Photo by Ven. Losang Sherab.
“When one who recites 10 malas a day goes swimming, whether in a river, an ocean or some other body of water, the water that touches that person’s body gets blessed.
“It is said that up to seven generations of that person’s descendants won’t get reborn in the lower realms. The reason for this is that due to the power of mantra, the body is blessed by the person reciting the mantra and visualizing their body in form of the holy body of Chenrezig. Therefore, the body becomes so powerful, so blessed that this affects the consciousness up to seven generations and has the effect that if one dies with a non-virtuous thought, one is not reborn in a lower realm.
“Thus, when a person who has recited 10 malas of OM MANI PADME HUM a day goes into a river or an ocean, the water that touches the person’s body gets blessed, and this blessed water then purifies all the billions and billions of sentient beings in the water. So it’s unbelievably beneficial; this person saves the animals in that water from the most unbelievable suffering of the lower realms.
“When such a person walks down a road and the wind touches his or her body and then goes on to touch insects, their negative karma gets purified and causes them to have a good rebirth. Similarly, when such a person does massage or otherwise touches others’ bodies, those people’s negative karma also gets purified.
“Such a person becomes meaningful to behold; being seen and touched becomes a means of liberating other sentient beings. This means that even the person’s breath touching the bodies of other sentient beings purifies their negative karma. Anybody who drinks the water in which such a person has swum gets purified. …”
You can read the entire teaching from Lama Zopa Rinpoche on “The Benefits of Chanting OM MANI PADME HUM,” part of FPMT Education Services “Mantras” resource pages.
Learn more about Lama Zopa Rinpoche, spiritual director of the Foundation for the Preservation of Mahayana Tradition (FPMT), and Rinpoche’s vision for a better world. Sign up to receive news and updates.

Símbolos: A Cruz

Publicado: 29/05/2009 por Kakao Braga em AtualidadesEspiritualidade & ReligiãoFilosofia,HistóriaPsicologia & Comportamento
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cruz
Foto de Ana Isabel (www.olhares.com/Chaveiro)
A cruz (†) do grego Staurós, do latim Crux, é uma figura geométrica formada por duas linhas ou barras que se cruzam em um ângulo de 90°, dividindo uma das linhas, ou ambas, ao meio. As linhas normalmente se apresentam na horizontal e na vertical; se estiverem na diagonal, a figura é chamada de sautor, ou aspa.
Apesar de ter sido difundida pelo cristianismo como símbolo do sofrimento de Cristo à crucificação, a figura da cruz constitui um ícone de caráter universal e de significados diversificados, amparados por suas inúmeras variações. A cruz é um dos símbolos humanos mais antigos e é usada por diversas religiões. Ela normalmente representa uma divisão do mundo em quatro elementos (ou pontos cardeais), ou então a união dos conceitos de divino, na linha vertical, e mundano, na linha horizontal.
Seu modelo básico traz sempre a intersecção de dois eixos opostos, um vertical e outro horizontal, que De acordo com o estudioso Juan Eduardo Cirlot, ao situar-se no centro místico do cosmos, a cruz assume o papel de ponte através da qual a alma pode chegar a Deus. Dessa maneira, ela liga o mundo celestial ao terreno através da experiência da crucificação, onde as vivencias opostas encontram um ponto de intersecção e atingem a iluminação.Para alguns representa lados diferentes como o Sol e a Lua, o masculino e o feminino e a vida e a morte, por exemplo. É a união dessas forças antagônicas que exprime um dos principais significado da cruz, que é o do choque de universos diferentes e seu crescimento a partir de então, traduzindo-a como um símbolo de expansão.
É possível detectar a presença da cruz, seja de forma religiosa, mística ou esotérica, na história de povos distintos (e distantes) como os egípcios, celtas, persas, romanos, fenícios e índios americanos.
Na subcultura Gótica, este símbolo geralmente é a representação da tortura ou angústia.
Provavelmente esta definição tenha o sentido original, já que em Roma antes mesmo da morte de Cristo, era usado para esta finalidade. Uma das formas de condenação à morte consistia em atar ou pregar condenados em uma cruz, fazendo os mesmos padecer terrivelmente.
Não se sabe quando a primeira cruz foi feita; depois dos círculos, as cruzes são um dos primeiros símbolos desenhados por crianças de todas as culturas. Algumas das imagens mais antigas de cruzes foram encontradas nas estepes da Ásia Central e algumas em Altai. A cruz na velha religião altaica chamada Tengriismo simboliza o deus Tengri; ela não era uma cruz alongada, lembrava mais um sinal de adição (+).
Os primeiros livros cristãos da Armênia e da Síria traziam evidências de que a cruz se originou com povos nômades do leste, possivelmente uma referência aos primeiros povos turcos. Em velhos templos armênios, algumas influências de estilo turco são encontradas nas cruzes.

Tipos de Cruzes

Cruz simples: Em sua forma básica a cruz é o símbolo perfeito da união dos opostos, mantendo seus quatro “braços” com proporções iguais. Alguns estudiosos denominam esta como Cruz Grega.
Cruz de Santo André: Símbolo da humildade e do sofrimento, recebe esse nome por causa de Santo André, que implorou a seus algozes para não ser crucificado como seu Senhor por considerar-se indigno. Acredita-se que o santo foi martirizado em uma cruz com essa forma.
Cruz de Santo Antonio (Tau): Recebeu esse nome por reproduzir a letra grega Tau. É considerada por muitos, como a cruz da profecia e do Antigo Testamento. Dentre suas muitas representações estão o martelo de duas cabeças, como sinal daquele que faz cumprir a lei divina, encontrado na cultura egípcia, e a representação da haste utilizada por Moisés para levantar a serpente no deserto.
Cruz Cristã: Definitivamente o mais conhecido símbolo cristão, que também recebe o nome de Cruz Latina. Os romanos a utilizavam para executar criminosos. Por conta disso, ela nos remete ao sacrifício que Jesus Cristo ofereceu pelos pecados das pessoas. Além da crucificação, ela representa a ressurreição e a vida eterna.
Cruz de Anu: Utilizada tanto por assírios como caldeus para representar seu deus Anu, esse símbolo sugere a irradiação da divindade em todas as direções do espaço.
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Cruz Ansata: Um dos mais importantes símbolos da cultura egípcia. A Cruz Ansata consistia em um hieróglifo representando a regeneração e a vida eterna. A idéia expressa em sua simbologia é a do círculo da vida sobre a superfície da matéria inerte. Existe também a interpretação que faz uma analogia de seu formato ao homem, onde o círculo representa sua cabeça, o eixo horizontal os braços e o vertical o resto do corpo.
Cruz Gamada (Suástica): A suástica representa a energia do cosmo em movimento, o que lhe confere dois sentidos distintos: o destrógiro, onde seus “braços” movem-se para a direita e representam o movimento evolutivo do universo, e o sinistrógiro, onde ao mover-se para a esquerda nos remete a uma dinâmica involutiva. No século passado, essa cruz adquiriu má reputação ao ser associada ao movimento político-ideológico do nazismo.
Cruz Patriarcal: Também conhecida como Cruz de Lorena e Cruz de Caravaca possui um “braço” menor que representa a inscrição colocada pelos romanos na cruz de Jesus. Foi muito utilizada por bispos e príncipes da igreja cristã antiga e por jesuítas nas missões no sul do Brasil.
Cruz de Jerusalém: Formada por um conjunto de cruzes, possui uma cruz principal ao centro, representando a lei do Antigo Testamento, e quatro menores dispostas em cantos distintos, representando o cumprimento desta lei no evangelho de Cristo. Tal cruz foi adotada pelos cruzados graças a Godofredo de Bulhão, primeiro rei cristão a pisar em Jerusalém, representando a expansão do evangelho pelos quatro cantos da terra.
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Cruz da Páscoa: Chamada por alguns de Cruz Eslava, possui um “braço” superior representando a inscrição INRI, colocada durante a crucificação de Cristo, e outro inferior e inclinado, que traz um significado dúbio, dos quais se destaca a crença de que um terremoto ocorrido durante a crucificação causou sua inclinação.
Cruz do Calvário: Firmada sobre três degraus que representam a subida de Jesus ao calvário, essa cruz exalta a fé, a esperança e o amor em sua simbologia.
Cruz Rosa-Cruz: Os membros da Rosa Cruz costumam explicar seu significado interpretando-a como o corpo de um homem, que com os braços abertos saúda o Sol e com a rosa em seu peito permite que a luz ajude seu espírito a desenvolver-se e florescer. Quando colocada no centro da cruz a rosa representa um ponto de unidade.
Cruz de Malta: Emblema dos Cavaleiros de São João, que foram levados pelos turcos para a ilha de Malta. A força de seu significado vem de suas oito pontas, que expressam as forças centrípetas do espírito e a regeneração. Até hoje a Cruz de Malta é muito utilizada em condecorações militares.
 Fonte: “Dictionary of Symbols”, J.E. Cirlot – Madrid – 1962, Revista Planeta e wikipedia
http://revistadeciframe.com/2009/05/29/simbolos-a-cruz/



Loa a la Santa Cruz de Caravaca

De esta Cruz soberana
oigan, señores,
milagros y prodigios,
con mil primores,
pues son tan grandes,
que no hay pluma que pueda
bien numerarles.

De los cielos bajaron
con alegría
los ángeles del coro,
a conducirla;
y pues son tantos,
los milagros que obra,
que es un encanto.

Hombres, niños y mujeres
llevan consigo
la Cruz que fue bajada
del cielo Empíreo
para consuelo,
líbranos de las garras
del Dragón fiero.

Cojos, mancos, tullidos,
ciegos y sordos,
en la Santa Cruz hallan
consuelo todos:
que es tan hermosa,
que la escogió Cristo
para su esposa.

Del cielo fue enviada
del Padre Eterno,
para que conozcamos
el gran misterio
que es el que encierra


que así nos la conceda
Dios en la tierra.

Los serafines todos
cantan y alegran
a esta Cruz soberana
fina diadema:
porque en el cielo
es el lecho de Cristo
nuestro consuelo.

Dichosa Caravaca
puedes llamarte,
pues gozas en los cielos
el Estandarte,
que es la santa Cruz
donde su vida y sangre
dio nuestro Jesús.

Todos los caminantes
y marineros,
por la mar y caminos
andan sin miedo,
como se valgan
de llevar en el pecho
la Cruz amada.

Son grandes los misterios
de esta reliquia,
y así digamos todos
que sea bendita;
para que tiemble
el infierno y la gente
que dentro tiene.

De muerte repentinas,
incendios, robos,
y otros muchos peligros
nos libre a todos
la Cruz Sagrada
que en los brazos de Cristo
fue desposada.

http://www.corazones.org/lugares/espana/caravaca/caravaca.htm